Adormeci
nessa viagem de comboio
a um centro qualquer, mais dentro
de mim que antes. Ainda que longe.
Que dores de cabeça,
que náuseas, cheiros vis
que ressoam em passos chapinhados
e vozes excitadas no clarear do dia.
A agradabilidade da viagem
perdida. Há um oco,
uma falta constante dentro do meu crânio.
Sinto que o perecer não é mais
do que esta decadente deslocação.
Nem há sol que nasça hoje sobre o Tejo,
toda a neblina condensada neste enjoo molhado.
Quando chegar a casa ainda haverá a manhã
ditada pelos ponteiros intransigentes
do relógio da estação,
mas sei sempre que para mim será
incontornavelmente tarde.
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