sábado, 8 de dezembro de 2012

Caminhar Permanente VI

E olha que  o céu
traz em si a marca do justo.

Não te agonizes em vão.
Tens a vida toda pela frente,
fingindo ou não.
Ela é tua
e tu pertences-lhe,
como se na mão dela
tu fosses os seus contornos ziguezagueados,
os sulcos profundos que um chicote
de neve e fogo pálido
escarafunchou.

Andas viajante
por estradas e ruas sempre novas,
sem saberes de ti no meio delas;
de ti, ente vassalo
das vozes discricionárias
do instinto.
Passo após passo,
nova bolha e novo calo
que te nascem no fofo do miolo
e se te inteiram do corpo todo.
Há quanto tempo
te vejo eu,
vagante incrédulo
das nuvens?
Há quanto te oiço
o cuspir desabrido,
o retesar despropositado
dos teus fantasmas
ante o novo e incerto perigo?

Arrastado
como o teu inerte sentido
da hora,
cai o nevoeiro prematuro dos dias.
Desce o lençol de cinza.

E olha que  o céu
traz em si a marca do justo.

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