sábado, 8 de dezembro de 2012

De mãos vazias

Nessa madrugada estática;
nesse sereno dia
do indelével traço perfumado das horas,
fugiremos daqui.

Fugiremos da cidade
para o distante, nunca
o perto.

Encontraremos, entre
os recônditos cantos
de um país que adormece
um nosso canto soalheiro
e sobre ele dormiremos
finalmente.

Um dia
teremos corpos próprios
com vozes próprias,
e entre o nossos risos
nascerá um plano que nos salve
da morbidez dos dias.

Seremos quem nunca fomos,
em passadas rápidas e irregulares,
um viajar de vento entre
os nossos cabelos
como semente de árvore desconhecida
que flutua sobre os montes.

O incógnito por nosso pai
e a aventura por mãe.
No desconhecido
aberto da aurora
tomaremos por nós
a nossa essência
e beberemos da paz secreta
que inunda os olhos
semicerrados do entardecer.

Nessa madrugada imóvel,
encheremos os pulmões da brisa do mar
e subiremos ao cume de nós.

De mãos vazias.

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