e se eu seguir o teu rasto
numa noite igual às outras
terei o meu nome ainda
tatuado nos dedos que se prendem
inter-egos no enleio dos teus cabelos?
não leves a mal a hora dispersa
que atrasa o horizonte em comboio
antes de cruzar a linha.
se ainda há emoção
no contorno de sangue que brotou
inquieto mas de um calor tão
sereno
das palavras sussurradas entre-
-ruas já sem placa
sei que o espelho lacustre
do teu penetrar de olhos
ainda perdoa.
convenhamos no estado primacial
que habita nesse agitar de braços ao longe
quando queres ainda ser nota de cor magenta pálida
não turva
entre a multidão escorrida pela atalaia
das quintas sextas feiras da nossa redenção
pascal.
há muito que os lobos que vivem
com a cor dos regatos matinais
e cujo uivo tem o travo do soprado
dos montes
anseiam pelo seu derradeiro
carnaval.
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