um dia fugiu de si próprio
contra a esquina de um olho
e não voltou senão o seu cheiro
permutado em rosas.
pai pegaste-me na mão
apertaste a sentença
"não tenhas mais horizontes que este"
e hoje não sei se foi ordem ou sina
o inescapável rasto de azul
prensado no escuro do meu olho.
porque todas as vezes que canto
ao vento segredos da imortalidade
já tão desgastada em palavras
fixo-me no berço fofo de verde
onde ainda cai de sono ao fim do dia
a tarde soalheira a varrer o lençol
calmo deste vago tão sereno
de silêncio rasteiro
muro de planalto.
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