este era eu à espera que passasse
o comboio autocarro chorrilho
de palavras que sublimes te saltavam
por entre os lábios em fuga
de perdigotos em geral a vida
são frescuras destas ao fim dos dias
um cansaço cego a dilatar a menina dos olhos
para te dizer fecha
encerra a loja
põe sobre a sobrancelha a tabuleta
arreda o risco do cabelo para o lado
e cava um túmulo
arruma-te na mortalha do teu airbag
sai de manso do éter do escape
para subires a passadeira
adeus
vida tão soalheira
tão prontos a acabarmos
as vírgulas em pontos finais
cortando-lhes as asas
apêndices fragmentários de jejum das bocas
só tudo isto para aparecermos nos jornais
das oito a abrir com voz colocada
que se ouve em freixo-de-espada-à-cinta
ou no frouxo tímpano que canta
cala
esse fim de tarde que tem o corpo suado
amalgamado colado à camisa
já nem se denota a diferença
dos quadrados ou da pele
feita quadrado prensa
na mesa.
olha para mim
folha não assinada
pastilha subversiva
no esconderijo dos teus dedos
surpresos.
não te sentasses
não te apertasses contra os objectos
para te teres mais
como coisa omnipresente.
acabaste o discurso
e o meu vómito
soou sobre a fachada
de uma casa que não merecia
afago em jacto tão quente.
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