veio esse dia
eu sei que viria
caminho e leio
nas minhas mãos
o espaço côncavo
diz
não presença.
sustento o
(insustentável)
peso fixo
da marginalidade das coisas
entre os punhos enlaçados.
todos têm o seu sentido
sublimado
em contínuos de estrelas.
todos têm nos passos direitos
predestinados
o seu cunho pessoal
e a voz traz
nas mãos peso
de gente com carne
de fé
creio-me
boquiaberto
tentando reter na secura
o pranto que desconheço
calando o zunido
na rua nas praças nas avenidas
que trepida e me raspa os ossos
entre-dentes
raiva em saliva
de quem sabe
emoldurado
o contorno de vida.
e as minhas mãos não têm
sangue que se lhes escorra
nem linfa nem fleuma nem éter
as minhas mãos
que sustentam o indizível atroz
espaço delas mesmas
prendem
(agonia das agonias)
menos que ar
menos que eu
cruzando o pescoço
ao comprido da estrada
nas linhas pintadas
para repassar
(se não mesmo trespassar
branco
de lâmina de agosto
o poeta)
abraço sem dedos
que diz
o aperto ele mesmo
que diz
só
a ponte sem margens.
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