As retretes de mato de miranda
não fizeram mal a ninguém
E ainda assim todos
os que passam na linha
lógica paisagem pitoresca
como quadro de tábuas e carris
todos riem
das calmas e soalheiras
- mesmo se chove e o dia
vem mais sisudo -
retretes de mato de miranda
Que desígnios e desforras preparão
plácidas formações oblongas
em forma de casota infestada de mijo
- e sabe deus o mais que lá fazem -
com pés de erva luzidia a crescer
abraçada à trepadeira ancestral?
Nada mesmo
sei eu que elas cogitam
na sua suspirada conspiração
de quatro da tarde
quando ainda faz um sol rendado
a atravessar as folhas do carvalho
Nada mesmo
porque há muito
se riram de si mesmas
e choraram
simultaneamente homens e mulheres
de cada lado do muro caiado
como se quer o respeito
ao verem inscrever-lhes
na face um lusitano cruzar de azulejos
a baptizar intemporalmente
o significado das bexigas cheias
e do ânus vazio
a insígnia tão tradicional que
até portugal lhe deu dos pequeninos
o aspecto arredondado e pueril
o nome fixo e visível
para todo o regional que irá
ali parar dois minutos
sempre
à gargalhada incontida com timbre de pardal
a debicar as sementes que rolam com o vento
de lisboa
onde eu quando mijo
nunca o faço
como se fazia em 1950
sabendo porém
que sim.
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