pude chamar-lhe
o rigor de uma insónia
como se o desconforto
que persegue
o rodar articulado
dos meus olhos
pudesse ter nome
e eu
pudesse um dia
saber-lhe rasto
humano
ou o travo
de espiga dos montes
para lhe dar depois de beber
como corça ferida
- nas pegadas
o sangue dos dias consumidos
já coalhado -
para lhe sentir
quente fundo
o bater de carne alada de medo
lamber-lhe o corte sujo
com gosto
e abençoá-la
com o transversal aparato
de um torcer de pescoço.
arrancar flor
arrancar-te os olhos dados ao sol
com o teu perfume vestido de roxo
eterno
até durar o tempo de nuvens
sobre o teu seio
a cobrir
na transparência rasgada de lençol
o incêndio sereno
que dissolve
o som de órgãos a beber
líquidos muitos
estrangeiros
como o fio de prumo
que balança suave
no dissolver da calote
que nos sustenta.
arrancar flor
o virginal risco de boca
ao lado que te vai até
ao cotovelo.
e ver-te eu
sem ventre
antes da tempestade.
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