domingo, 19 de maio de 2013

hay que caminar

façamos assim:
eu vou à frente e seguro as nuvens
por debaixo do teu olho
já azul antes do verão
para não deixar rasto de medo
às flores que murcham
rasteiras no abraço que te dão
ao tornozelo nu.

façamos depois:
a polpa estagnada de nós dois
a dar de beber ao deus de uma
era mais surda
se não mesmo muda como
nos queremos debicados
da águia de prometeu
ou seria abutre?

façamos porém:
o ciclo invertido
do arco que a chuva desenha
no teu umbigo
sem contemplações esdrúxulas
da probabilidade de sermos nós
o pó cerrado
feito caminho
para todo o lado.

façamos por fim:
o registo da nossa pele
prensada em cada pegada
como voz ciciada de vento
para redescobrir nas paredes
de espanha onde houve uma outra estrada
"no hay caminos
hay que caminar"

Sem comentários:

Enviar um comentário