domingo, 26 de maio de 2013

chiaro-scuro

não vejo mais do que isso
o líquido absorto dos contrastes
todos eles
assim dispostos à minha frente
só para a minha fé
não ter mais missas de domingo
em que escape à pietá
cuja sombra desenha
sobre o corpo morto do filho
um relâmpago vasto de sorriso.

minto
pois não existe perfeitamente
quem lhe veja sob o ouro
véu ainda ilustre do velho
barroco
o enigma.

mas
depois saio.
e as pedras da calçada
desalinhadas
já não cantam caminho
e as folhas das tílias cruzam o ondulado
do vão das escadas
e há portas abertas sem casas
e nuvens mais incertas
a despir sóis desiguais que me parecem
hoje ainda como nesse ainda agora
eternos.

Sem comentários:

Enviar um comentário